Para aqueles que pensavam que apenas o nosso jovem (de 30 anos? XD) Arturia escrevia nesse blog... supresa! E para você também, Arturia, tenho certeza. As vezes é preciso invadir lugares, cruzar fronteiras. Escrever uma mensagem de aniversário para você é um ótimo motivo pra isso.
Não faz tanto tempo assim que nos conhecemos, não é? Ainda acho graça da maneira como nossa relação cresceu e se aprofundou, quando dei por mim já estávamos falando de coisas que eu não costumava compartilhar com ninguém, muitas delas idiotas e engraçadas. E criamos um vinculo. Por isso sinto que te conheço há muito mais tempo, sua presença é tão natural em minha vida que não dá para imaginar como as coisas seriam se tivessem tomado um rumo diferente. Dentre chutes e abraços acabamos formando um laço que muitas vezes foi responsável por nos puxar para cima, nos levar adiante, e como precisávamos disso (cada um do seu jeito).
Aprendi muito com você, Arturia. Sua paciência, sua sinceridade e seu amor pelo que faz são traços que admiro profundamente em sua personalidade e me ajudaram a ver o mundo com outros olhos, a entender muito do que acontecia comigo mesmo e ao meu redor, por isso também sou muito grato por sua amizade. Hoje sei o que é compartilhar como nunca soube a minha vida toda. Além disso, através de sua amizade eu fui capaz de construir outra muito importante, que nos deu essa sensação de família, a família mais esquisita que conheço. E que amo.
Olha... Quero muito, mas muito mesmo, que você alcance seus sonhos. Muitas pessoas que enfrentassem metade de suas dificuldades já teriam seguido qualquer outro caminho paralelo, satisfeitas em fazer qualquer outra coisa da vida que não realizar seus sonhos, isso te faz uma pessoa forte! Tenho fé em você, Arty, e farei o possível para te ajudar em sua caminhada. Porque eu demorei para segurar a sua mão... mas agora você se ferrou, grudei. E fim. =D
Bom... era isso que queria dizer mesmo. Te amo, onii-chan.
Fonftka~
Ah...se ferrou duplamente xD porque vai ter que me aturar por mais 2.500 anos ^^v
Humm...ahh..eu não vou conseguir falar de você sem me emocionar xD' -q .... mas é que você sabe como eu sou manteiga derretida ( o Afonso sabe bem xD *derrama*)
enfim...
Assim como ele, também não nos conhecemos a muito tempo, mas nem há tão pouco também, pra mim parecem anos já. É que o tempo corre quando estou com você, os dias parecem tão pequenos,não dá tempo nem de matar a saudade. Acho que sinto isso porque pra mim você é o mais importante de tudo, então sou egoísta e sempre quero mais.
O tempo corre, fato... mas parece que ele se arrasta às vezes também, só pra levar um século até nos vermos de novo ( e tá demorando...) eu sempre fico pensando no dia em que não vamos mais precisar esperar e me parece tão maravilhoso. Eu lembro claramente da época em que era assim, foi por um curto período, mas foi perfeito.
É incrível como me faz andar por aí rindo igual boba, só lembrando de tudo que nós já passamos... e parece mágica o que você faz, eu posso chegar odiando o mundo e querendo botar fogo em tudo, espancar as pessoas e construir uma bomba, que você sempre me faz ficar calminha... igual quando eu chego chorando litros, você acaba me fazendo rir.
Me faz babar muiiiito e ficar louca querendo mais quando escreve ou me fala das histórias que quer fazer...e eu adoro ler, como eu costumo dizer, você não poderia fazer outra coisa que eu gostasse mais ( a não ser que fosse de uma boyband *-* xD). Te admiro pra caramba, espero muito muito mesmo ver os seus livros publicados e seus jogos feitos. ( sim, pra quem não sabe, ele é multifuncional, também faz jogos ^^v)
Espero que possamos continuar na sua vida ( e invadindo seu blog XD ) por muito tempo.
Te amo demais e estarei sempre aqui pra você.
Karlaanime **=
segunda-feira, 29 de março de 2010
sábado, 27 de março de 2010
30
Tantos momentos importantes, tantas minúcias integradas a segredos, descansando debaixo deste grande pano chamado memória até a hora de recordar. Aos poucos, a vontade de vasculhar a montanha de acontecimentos em busca daquilo que não se vê mais por cima, daquilo que aos poucos obscurece na mente, inunda toda a razão num doce devaneio. É impossível contar com precisão tudo dentro desse trinta. Tão insignificante quando olhar para o horizonte, mas erguido como um grande castelo às nossas costas. De fato, um castelo de promessas infinitas.
Ainda que o cheiro do que está por vir esteja na brisa que sopra sobre o rosto, existe uma estranha calmaria dentro da tempestade de vontades de saltar o tempo, cruzar estradas e espaços até o objetivo que estava lá e agora está ali. É como uma luta interna que definirá a distância e a profundidade de tudo. Do trinta.
Despertar todo dia sem pensar nisso é tão impossível quanto retornar agora. Tudo que resta, tudo que pode ser apresentado é o que os olhos veem.
O que é visto é reflexo do que se deseja, assim sendo, é reflexo do furuto.
Este brilho jamais acabará, é infindável, tais como as recordações simples, e ao mesmo tempo tão especiais, do trinta. Este é como o que se sente, só aumenta... só aumenta...
Ainda que o cheiro do que está por vir esteja na brisa que sopra sobre o rosto, existe uma estranha calmaria dentro da tempestade de vontades de saltar o tempo, cruzar estradas e espaços até o objetivo que estava lá e agora está ali. É como uma luta interna que definirá a distância e a profundidade de tudo. Do trinta.
Despertar todo dia sem pensar nisso é tão impossível quanto retornar agora. Tudo que resta, tudo que pode ser apresentado é o que os olhos veem.
O que é visto é reflexo do que se deseja, assim sendo, é reflexo do furuto.
Este brilho jamais acabará, é infindável, tais como as recordações simples, e ao mesmo tempo tão especiais, do trinta. Este é como o que se sente, só aumenta... só aumenta...
sexta-feira, 26 de março de 2010
Em conjunto
Em falta. Um pouco de idéias para discutir, ou para se ouvir. Um pouco de vontade em agradar, em conquistar, em avançar. Um pouco daquilo que sempre desejamos para nós e nunca nos esforçamos para dar aos outros. Um pouco em conjunto.
É o que falta. Paz para refletir, estado de espírito que liberta os pesares e segue adiante. Só alguns passos, pequenos, para outros mais longos futuros. Duradouros, talvez. E a beleza da coisa toda confusa e enroscada em mais de um ser, do jeito que se pode dizer que quanto mais, melhor. É assim, felicidade aos poucos se espalha entre quem a quer. Tudo em conjunto, mas só um pouco.
Às vezes só o empurrão, que jamais pode ser dado no próprio autor, serve de ignição para os projetos mais ousados, e respeitados. Não apenas um ou dois, mas o... De modo que faz toda a diferença, indiferente ao número. Números, aliás, que pouca falta fazem. Seja no conjunto, seja no singular. Porque o que mais vale no conjunto é o que se sente e não o que se conta. Exceto quando o que se conta gera sorrisos, estes sentidos, o que já explica tudo.
Exceção também é conjunto de um só, que faz, pensa, conversa e planeja tudo ao mesmo tempo em monólogos que mais parecem diálogos. O resultado é o que se vê como loucura. Como arte.
Arte perigosa vista sozinha, agradável em companhia. Em conjunto.
Sempre em conjunto, mas apenas um pouco.
É o que falta, pois sempre está em falta, mesmo que só um pouco.
É o que falta. Paz para refletir, estado de espírito que liberta os pesares e segue adiante. Só alguns passos, pequenos, para outros mais longos futuros. Duradouros, talvez. E a beleza da coisa toda confusa e enroscada em mais de um ser, do jeito que se pode dizer que quanto mais, melhor. É assim, felicidade aos poucos se espalha entre quem a quer. Tudo em conjunto, mas só um pouco.
Às vezes só o empurrão, que jamais pode ser dado no próprio autor, serve de ignição para os projetos mais ousados, e respeitados. Não apenas um ou dois, mas o... De modo que faz toda a diferença, indiferente ao número. Números, aliás, que pouca falta fazem. Seja no conjunto, seja no singular. Porque o que mais vale no conjunto é o que se sente e não o que se conta. Exceto quando o que se conta gera sorrisos, estes sentidos, o que já explica tudo.
Exceção também é conjunto de um só, que faz, pensa, conversa e planeja tudo ao mesmo tempo em monólogos que mais parecem diálogos. O resultado é o que se vê como loucura. Como arte.
Arte perigosa vista sozinha, agradável em companhia. Em conjunto.
Sempre em conjunto, mas apenas um pouco.
É o que falta, pois sempre está em falta, mesmo que só um pouco.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Uma vida no escuro
“Eu estava à espera. Há tanto tempo, neste lugar escuro e desabitado, eu estava à espera. Sempre que podia, olhava o pontilhado luminoso tão distante, lá fora, onde não alcanço, nem se usasse todas as minhas forças. Quase sempre aquele brilho chegava a mim como um luminoso céu estrelado, algo realmente fascinante. Mas hoje está como o céu nublado, opaco. Não há luz aqui. Nunca teve. E eu estava à espera, há tanto tempo, neste lugar que pouco tem a mostrar, até que finalmente fui chamado para fora da casca.”
Saber de uma verdade que mais ninguém pode desfrutar nos torna mais livres ou mais prisioneiros? E quando o preço por esse conhecimento é superior ao estimado? Coisas não tão agradáveis podem acontecer. Essa nova sabedoria, que deveria chegar como uma luz, mais parece tornar tudo escuro, preso, dependente e enfraquecido. Doente, por assim dizer. Para os que estão fora deste círculo, a falsa verdade, essa luz com brilho colorido, deformada e construída de maneira a hipnotizar a todos, passa sem revelar a verdadeira cor da vida. Da energia que a vida traz consigo. Por fim, a confusão que deveria ter dominado a todos no momento em que aquilo explodiu se tornou, com o tempo, um agradável espetáculo controlado por mãos invisíveis. Mãos que estão além da verdade e que podem tocar aquilo que você deseja proteger.
É assim que este mundo segue girando. Entre os devaneios forjados por uma minoria seleta e os gritos silenciosos de uma multidão amordaçada. Além daqueles que nada veem, nada ouvem e nada sabem, vagando por entre as ruas de ferro e pedra como mortos-vivos sem vontade própria, existe uma sombra que procura por sua própria paz que só pode ser encontrada lá fora.
O que está fora da casca? Apenas saindo para conhecer...
Saber de uma verdade que mais ninguém pode desfrutar nos torna mais livres ou mais prisioneiros? E quando o preço por esse conhecimento é superior ao estimado? Coisas não tão agradáveis podem acontecer. Essa nova sabedoria, que deveria chegar como uma luz, mais parece tornar tudo escuro, preso, dependente e enfraquecido. Doente, por assim dizer. Para os que estão fora deste círculo, a falsa verdade, essa luz com brilho colorido, deformada e construída de maneira a hipnotizar a todos, passa sem revelar a verdadeira cor da vida. Da energia que a vida traz consigo. Por fim, a confusão que deveria ter dominado a todos no momento em que aquilo explodiu se tornou, com o tempo, um agradável espetáculo controlado por mãos invisíveis. Mãos que estão além da verdade e que podem tocar aquilo que você deseja proteger.
É assim que este mundo segue girando. Entre os devaneios forjados por uma minoria seleta e os gritos silenciosos de uma multidão amordaçada. Além daqueles que nada veem, nada ouvem e nada sabem, vagando por entre as ruas de ferro e pedra como mortos-vivos sem vontade própria, existe uma sombra que procura por sua própria paz que só pode ser encontrada lá fora.
O que está fora da casca? Apenas saindo para conhecer...
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Estranha lembrança, imprevista mudança (três anos)
Apesar de ter planejado algo diferente para este ano também, não tão diferente do que fora feito na vez passada, mas apenas diferente do habitual, não poderei seguir os meus pensamentos desta vez. Do ritmo que este lugar tem sempre, saindo um pouco desta névoa codificada A Miragem da Utopia e caminhando vagarosamente para outro título, o qual não necessito mencionar aqui. Este, por sinal, também faz parte do tema deste lugar, uma ilusão, um sonho, uma miragem que ganhou vida e forças e que me guiou por muito tempo. Três anos hoje, sendo preciso, e tudo que havia esperado para esta data foi deixado de lado. Por quê? Essa é uma boa pergunta...
Não tenho certeza, nunca tive. Aliás, é raro ter certeza de algo quando se está numa névoa, não? Pois é. Aqui ainda é a tal névoa, não se esqueça. E mais, um lugar cheio de miragens e ilusões, assim sendo, apenas lerei o que vejo nesta estranha paisagem que a vida formou diante de mim.
Se antes tudo havia parado no caos, então esta etapa já fora ultrapassada há muito. Pouco depois da época em que fora citada aqui, mas o que veio depois não constará aqui desta vez. Porque houve uma mudança, imprevista, e que tornou tudo estranho. Turvo, para falar a verdade. Ainda está lá, mas os meus olhos neste momento não conseguem distinguir muita coisa. Por isso, como programei nos últimos tempos, estou me descansando disso. Jamais sonhei que estaria ratificando isso num aniversário, mas é o que faço, então não há volta. Por enquanto.
Tudo vai passar, mais uma vez, num emaranhado de sensações esquisitas aqui por dentro até estar pronto para ser apreciado novamente. Até lá, que durma. E talvez, nesse meio tempo, outra flor esteja para desabrochar. Mas isso não é algo para ser dito hoje. Não hoje.
Então vamos lá, de novo, para um memorial daquilo que me mudou, transformou o meu ser em outro, agora mais esperançoso, e que ainda segue o seu rumo indefinido como um cometa no espaço de minha alma. Já não tão escura e solitária, mas isto também não é algo para ser dito hoje.
Aqui fica, portanto, uma lacuna, daquilo que deveria ser e acabou por esvair-se sem aparente motivo numa data talvez não tão esperada. O movimento que deveria ter sido feito será adiado por mais um destes ciclos que chamamos de ano até que o meu ser se recomponha do mal que o cerca (invisível, diria, e que não deveria gerar preocupações alheias, mas sei que vai simplesmente por ser mencionado aqui).
E minhas sinceras desculpas para a obra que fiz e que faço e que será deixada em segundo plano apenas por enquanto.
Por último, agradeço a todos que fizeram parte de meu despertar até o momento, para a ilusão mais valiosa, e para este espacinho.
A Miragem da Utopia.
Não tenho certeza, nunca tive. Aliás, é raro ter certeza de algo quando se está numa névoa, não? Pois é. Aqui ainda é a tal névoa, não se esqueça. E mais, um lugar cheio de miragens e ilusões, assim sendo, apenas lerei o que vejo nesta estranha paisagem que a vida formou diante de mim.
Se antes tudo havia parado no caos, então esta etapa já fora ultrapassada há muito. Pouco depois da época em que fora citada aqui, mas o que veio depois não constará aqui desta vez. Porque houve uma mudança, imprevista, e que tornou tudo estranho. Turvo, para falar a verdade. Ainda está lá, mas os meus olhos neste momento não conseguem distinguir muita coisa. Por isso, como programei nos últimos tempos, estou me descansando disso. Jamais sonhei que estaria ratificando isso num aniversário, mas é o que faço, então não há volta. Por enquanto.
Tudo vai passar, mais uma vez, num emaranhado de sensações esquisitas aqui por dentro até estar pronto para ser apreciado novamente. Até lá, que durma. E talvez, nesse meio tempo, outra flor esteja para desabrochar. Mas isso não é algo para ser dito hoje. Não hoje.
Então vamos lá, de novo, para um memorial daquilo que me mudou, transformou o meu ser em outro, agora mais esperançoso, e que ainda segue o seu rumo indefinido como um cometa no espaço de minha alma. Já não tão escura e solitária, mas isto também não é algo para ser dito hoje.
Aqui fica, portanto, uma lacuna, daquilo que deveria ser e acabou por esvair-se sem aparente motivo numa data talvez não tão esperada. O movimento que deveria ter sido feito será adiado por mais um destes ciclos que chamamos de ano até que o meu ser se recomponha do mal que o cerca (invisível, diria, e que não deveria gerar preocupações alheias, mas sei que vai simplesmente por ser mencionado aqui).
E minhas sinceras desculpas para a obra que fiz e que faço e que será deixada em segundo plano apenas por enquanto.
Por último, agradeço a todos que fizeram parte de meu despertar até o momento, para a ilusão mais valiosa, e para este espacinho.
A Miragem da Utopia.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Proximidade
Estado de próximo. Ou ainda: pequena distância e, entre outras coisas, arredores. Isso explica tudo, uma vez que entendemos que há algo sempre próximo de nós, mesmo que não percebamos. Ou, talvez, estivemos tão concentrados em tudo e em nada que não vimos algo crucial para nossa vida se achegar devagarinho, de mansinho ou mesmo em sua naturalidade chamativa, enquanto nós, distraídos ou absortos, nem damos a devida atenção. A partir daí, o encontro que deveria ser esperado (tanto no sentido de previsto, quanto no de desejado) chega como uma grande surpresa. Um trovão violento.
E foi assim que veio, como uma chuva forte no final da tarde, já quando o sol se inclinava totalmente para cessar a luz daquele dia quando você ainda tinha tanto o que fazer. Como continuar? Bom, só olhando com calma, após o susto, e planejar, já em tão pouco tempo, o próximo passo. Tomar um caminho diferente, ou forçar a escolher um. Tanto faz. O que importa é que alguma atitude deve ser tomada perante à proximidade. Proximidade de que? de quem? Não importa também. Apenas a proximidade. Daquilo que você sabia que viria e por desleixo deixou chegar sem avisar (ou sem o seu alerta).
Desta vez, com a nova proximidade, minha atitude será um pequeno sorriso, do tipo cansado, e desejar bom descanço para o sonho que se manteve acordado já por tanto tempo, se esforçando, comigo, a dar os passos à frente. Agora, é a vez de outra ilusão tomar forma, nascer, dar seus primeiros passos e seguir em frente, até quando seu descanso também se aproximar. E quanto a mim, nada sei. Nem de proximidades nem de descansos, só sei que, por enquanto, dou formas àquilo que não as tem e dou vida aos sonhos meus. Por ora. Um dia, talvez, também darei aos sonhos teus. Mas esta época ainda não está próxima, nem de agora, nem de amanhã. Pois somente se tornará uma alternativa quando estes meus sonhos adormecerem outra vez, no seu devido tempo. O próximo, creio. Sim, porque há sempre algo próximo...
Nem que seja o fim.
E foi assim que veio, como uma chuva forte no final da tarde, já quando o sol se inclinava totalmente para cessar a luz daquele dia quando você ainda tinha tanto o que fazer. Como continuar? Bom, só olhando com calma, após o susto, e planejar, já em tão pouco tempo, o próximo passo. Tomar um caminho diferente, ou forçar a escolher um. Tanto faz. O que importa é que alguma atitude deve ser tomada perante à proximidade. Proximidade de que? de quem? Não importa também. Apenas a proximidade. Daquilo que você sabia que viria e por desleixo deixou chegar sem avisar (ou sem o seu alerta).
Desta vez, com a nova proximidade, minha atitude será um pequeno sorriso, do tipo cansado, e desejar bom descanço para o sonho que se manteve acordado já por tanto tempo, se esforçando, comigo, a dar os passos à frente. Agora, é a vez de outra ilusão tomar forma, nascer, dar seus primeiros passos e seguir em frente, até quando seu descanso também se aproximar. E quanto a mim, nada sei. Nem de proximidades nem de descansos, só sei que, por enquanto, dou formas àquilo que não as tem e dou vida aos sonhos meus. Por ora. Um dia, talvez, também darei aos sonhos teus. Mas esta época ainda não está próxima, nem de agora, nem de amanhã. Pois somente se tornará uma alternativa quando estes meus sonhos adormecerem outra vez, no seu devido tempo. O próximo, creio. Sim, porque há sempre algo próximo...
Nem que seja o fim.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Declaração
Ensaiando num quarto sozinho, deixando que as doces palavras ecoem livremente em baixo volume, até alcançar os ouvidos tão atentos e passar esta vibração para o interior. Para o coração. Não parece atingir o fundo, pois lá dentro a batida cala outras vozes. Vívida e cálida, para não dizer independente, forte o bastante para tomar tudo, preencher de vermelho até onde deveria ter outra cor. E os olhos que espiam o espelho tão aflitos percebem a loucura de sua própria alma, enxergam o vermelho brotando de dentro, corando tudo, até sua mente. É impossível ver outra coisa além do possível fracasso.
Outra vez a vergonha chega para dar um basta às idéias que nada querem dizer, à confusão que teima em voltar, como se disputasse um espaço tão apertado com todos os outros sentimentos. O espaço onde se deseja que a razão esteja. E se o pedaço de papel não fala por si mesmo, e se os sonhos e delírios noturnos não podem expor uma imagem tão delicada, tudo o que resta é a declaração minuciosa, para calar de vez a voz da dúvida, o incômodo que se lança para fora da boca sem permissão, apenas para ganhar asas e te deixar um ovo de frustração. Um presente que talvez tenha que lidar por um tempo, até chocar, viver e morrer, e seguir em frente para o lugar além de qualquer visão, de qualquer pensamento, onde os seres se cruzam e a história se faz de novo.
Declaração que nada muda mas que pensamos mudar tudo. Declaração que voa mais longe do que o desejável e traz bem menos do que é perdido. Declaração que limpa e suja novamente. Declaração que nada muda em nós o que queremos mudar nos outros.
Declaração que, acima de tudo, cumpre seu papel em dar a conhecer o que é mais profundo e misterioso que a própria alma: o ser humano em sua totalidade.
Outra vez a vergonha chega para dar um basta às idéias que nada querem dizer, à confusão que teima em voltar, como se disputasse um espaço tão apertado com todos os outros sentimentos. O espaço onde se deseja que a razão esteja. E se o pedaço de papel não fala por si mesmo, e se os sonhos e delírios noturnos não podem expor uma imagem tão delicada, tudo o que resta é a declaração minuciosa, para calar de vez a voz da dúvida, o incômodo que se lança para fora da boca sem permissão, apenas para ganhar asas e te deixar um ovo de frustração. Um presente que talvez tenha que lidar por um tempo, até chocar, viver e morrer, e seguir em frente para o lugar além de qualquer visão, de qualquer pensamento, onde os seres se cruzam e a história se faz de novo.
Declaração que nada muda mas que pensamos mudar tudo. Declaração que voa mais longe do que o desejável e traz bem menos do que é perdido. Declaração que limpa e suja novamente. Declaração que nada muda em nós o que queremos mudar nos outros.
Declaração que, acima de tudo, cumpre seu papel em dar a conhecer o que é mais profundo e misterioso que a própria alma: o ser humano em sua totalidade.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Prisão do eterno atraso
A hora passa. Sabe-se disso, sente-se isso. A hora continua a passar e a vontade a aumentar. Às vezes devagar, às vezes depressa, o tique-taque eterno e silencioso. Muito embora, em alguns momentos, possamos ouvir com clareza a batida rítmica e enlouquecedora desta prisão. Sentir em cada parte do corpo, experimentando a sensação segundo após segundo, minuto a minuto, sem jamais ver o que se deseja, o que se espera. Como olhar para o fundo do céu claro e aberto, do azul infinito, e torcer para que uma gota d'água caia do mar celestial, ainda que sabendo, lá no fundo, que tal água não cairá tão cedo, não tão cedo quanto se precisa dela. É a necessidade que faz o homem.
Na prisão do eterno atraso, tudo chega muito depois que a esperança já se foi. Muito depois que a vontade corroeu por dentro os restos do coração, já tão despedaçado pelas desesperanças anteriores, tal perversidade repetida tantas vezes que é quase inacreditável ainda restar, ali, naquele órgão seco, alguma vida ou força para bater. É quase inacreditável pensar que, ainda assim, a esperança retorna num novo desejo não realizado. Uma vontade concretizada tão tardiamente... apenas na madrugada escura e solitária, quando o corpo já se entregou ao sono há muito.
Na prisão do eterno atraso não se sonha, ou melhor, não se almeja sonhar, esperar, acreditar. Almeja apenas a serenidade e a paciência, a virtude da sabedoria para entender e calcular com precisão quando chega a novidade já velha. Raramente se acerta, quando a força dos braços é a única ferramenta para se realizar algo, tudo se torna mais fácil. No entanto, aqui, nesta prisão, só há o atraso.
Espero, por fim, que até o atraso se atrase, se esqueça de vir, é a última esperança para se reverter isso. Porque a esperança é, de fato, imortal e triunfante, até mesmo sobre o tempo.
Na prisão do eterno atraso, tudo chega muito depois que a esperança já se foi. Muito depois que a vontade corroeu por dentro os restos do coração, já tão despedaçado pelas desesperanças anteriores, tal perversidade repetida tantas vezes que é quase inacreditável ainda restar, ali, naquele órgão seco, alguma vida ou força para bater. É quase inacreditável pensar que, ainda assim, a esperança retorna num novo desejo não realizado. Uma vontade concretizada tão tardiamente... apenas na madrugada escura e solitária, quando o corpo já se entregou ao sono há muito.
Na prisão do eterno atraso não se sonha, ou melhor, não se almeja sonhar, esperar, acreditar. Almeja apenas a serenidade e a paciência, a virtude da sabedoria para entender e calcular com precisão quando chega a novidade já velha. Raramente se acerta, quando a força dos braços é a única ferramenta para se realizar algo, tudo se torna mais fácil. No entanto, aqui, nesta prisão, só há o atraso.
Espero, por fim, que até o atraso se atrase, se esqueça de vir, é a última esperança para se reverter isso. Porque a esperança é, de fato, imortal e triunfante, até mesmo sobre o tempo.
sábado, 14 de novembro de 2009
Caminhos
Eis a tarefa que me foi dada de pensar nas minhas possibilidades. Eis a oportunidade de refletir sobre o meu sofrimento e sobre as alternativas não tão visíveis, mas que existem, de uma forma ou de outra, para além de onde minha força consegue alcançar.
Por isso aqui estou, a escrever, e pensar, e revirar. Revirar o que já foi dito e sentido, e tido e perdido, perdido para algum lugar além de onde a esperança descansa. Descansa esperando o seu retorno esperançoso, torcendo para que no fim não fique rançoso. Enfim, esperando um caminho de mudança.
Não há, de fato, um único caminho sem volta e de puro perecimento. Mas também não há, e este fato é mais do que inegável, uma escolha sublime que me fará melhor. Seja por agora ou no futuro breve.
O que resta, sem dúvidas, é o mero planejamento de um amanhã livre. Livre das pressões insensíveis, sem fundamentos, das forças cegas que só destroem. Das visões divergentes que engolem o que deveria ser construído.
E enquanto planejo vejo as possíveis rotas para o final feliz. O final que alcançarei, não com as minhas forças, mas guiado por uma luz que não pode desaparecer da minha vida.
Hoje estou mergulhado num desespero crescente. No medo. Não medo de me perder, mas de perder a luz. E para não perder esta luz é que me sujeito às dores. Enfrento-as sem enfrentar de fato, e a minha alma termina lanhada por um açoitamento sem limites. É simples. É fácil. A descrença machuca, as cobranças também. As palavras falsas, repletas de desculpas que tentam ocultar a verdadeira culpa. Tudo isso eu já sei.
Tudo isso suporto para ficar um pouco mais próximo de minha luz. Temendo perdê-la, até que o tempo de vê-la chegue. Está perto, mas parece tão impossível agora. Não quero acreditar que vai falhar. Isso me faz dizer "vai dar certo, eu vou conseguir" para mim mesmo o tempo inteiro. Mas e a verdade? Eu não sei...
Se eu pudesse mudar, mudaria. Mudaria para uma forma menos agredida (e mais agressiva). Mudaria aos pequenos moldes tão desejados por aqueles que enfrento, não por sucumbir às suas vontades, mas por usar isto a meu favor. Para construir o meu caminho até a luz. Mas temo fazer isso. Temo desviar o meu olhar desta luz e me perder. Não me perder em mim mesmo, mas perder a luz em si. Parar de alimentá-la e deixá-la morrer, de forma que não a encontraria mais por deixar de existir. Ela e eu. E assim, morreriam os sonhos, a vida, e até mesmo as lembranças. Tudo morreria. Murcharia. Apodrecendo no vento seco. Apodrecendo no ar repleto de palavras duras.
No entanto, penso agora, penso nisso desde quando a idéia surgiu. Desde quando o planejamento nasceu como um relâmpago para iluminar uma vez o meu caminho nessa névoa. Penso em seguir em frente. Seja lá pra onde a frente me levar, mas seguir em frente... Vai doer, vou sofrer, mas no fim, vou ver a luz. Vou forçar, vou brigar, e estou quase me rebelando em mim mesmo, expandindo a alma tão comprimida, prestes a perder tudo por um pouco mais. Apenas por um pouco mais...
Por isso aqui estou, a escrever, e pensar, e revirar. Revirar o que já foi dito e sentido, e tido e perdido, perdido para algum lugar além de onde a esperança descansa. Descansa esperando o seu retorno esperançoso, torcendo para que no fim não fique rançoso. Enfim, esperando um caminho de mudança.
Não há, de fato, um único caminho sem volta e de puro perecimento. Mas também não há, e este fato é mais do que inegável, uma escolha sublime que me fará melhor. Seja por agora ou no futuro breve.
O que resta, sem dúvidas, é o mero planejamento de um amanhã livre. Livre das pressões insensíveis, sem fundamentos, das forças cegas que só destroem. Das visões divergentes que engolem o que deveria ser construído.
E enquanto planejo vejo as possíveis rotas para o final feliz. O final que alcançarei, não com as minhas forças, mas guiado por uma luz que não pode desaparecer da minha vida.
Hoje estou mergulhado num desespero crescente. No medo. Não medo de me perder, mas de perder a luz. E para não perder esta luz é que me sujeito às dores. Enfrento-as sem enfrentar de fato, e a minha alma termina lanhada por um açoitamento sem limites. É simples. É fácil. A descrença machuca, as cobranças também. As palavras falsas, repletas de desculpas que tentam ocultar a verdadeira culpa. Tudo isso eu já sei.
Tudo isso suporto para ficar um pouco mais próximo de minha luz. Temendo perdê-la, até que o tempo de vê-la chegue. Está perto, mas parece tão impossível agora. Não quero acreditar que vai falhar. Isso me faz dizer "vai dar certo, eu vou conseguir" para mim mesmo o tempo inteiro. Mas e a verdade? Eu não sei...
Se eu pudesse mudar, mudaria. Mudaria para uma forma menos agredida (e mais agressiva). Mudaria aos pequenos moldes tão desejados por aqueles que enfrento, não por sucumbir às suas vontades, mas por usar isto a meu favor. Para construir o meu caminho até a luz. Mas temo fazer isso. Temo desviar o meu olhar desta luz e me perder. Não me perder em mim mesmo, mas perder a luz em si. Parar de alimentá-la e deixá-la morrer, de forma que não a encontraria mais por deixar de existir. Ela e eu. E assim, morreriam os sonhos, a vida, e até mesmo as lembranças. Tudo morreria. Murcharia. Apodrecendo no vento seco. Apodrecendo no ar repleto de palavras duras.
No entanto, penso agora, penso nisso desde quando a idéia surgiu. Desde quando o planejamento nasceu como um relâmpago para iluminar uma vez o meu caminho nessa névoa. Penso em seguir em frente. Seja lá pra onde a frente me levar, mas seguir em frente... Vai doer, vou sofrer, mas no fim, vou ver a luz. Vou forçar, vou brigar, e estou quase me rebelando em mim mesmo, expandindo a alma tão comprimida, prestes a perder tudo por um pouco mais. Apenas por um pouco mais...
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Caixas
A essência deste relato não pertence a mim. Na verdade, a essência está em mim, mas a inspiração veio de fora. Trata-se somente de caixas, mas são diferentes da visão que temos normalmente. É exatamente a mesma sensação, como se fosse um reflexo, de modo que entendi aquilo como se tivesse sido pronunciado por mim. É, de fato, o mesmo medo...
Um sonho. Descobrir o que se gosta é realmente um sonho, depois de uma espera tão grande, de uma dúvida sem tamanhos e de uma sequência histórica da vida tão pesarosa. O tempo avançando e a pressão quase te esmagando por ainda estar tão arduamente relutente a escolher um caminho para si. Descobrir-se no seu mundo, no seu espaço, é como a ilusão de uma pintura que sai da tela, que te toca e acaricia. Mas, ainda assim, não é o fim, restam muitas coisas para serem feitas, muitas caixas para serem abertas.
Aí está o medo, o receio de não saber até onde se pode ir. Não por esperar menos de si, mas por saber que tão ampla são suas escolhas, seus projetos, seus desejos, e o tempo miseravelmente curto. É saber que se está numa zona aparentemente estreita, coberta por uma penumbra misteriosa de sua própria mente, e que conforme você avança no seu espaço, clareia um pouco mais sua alma para revelar as caixas depositadas neste solo. No seu coração. Ali estão, eu posso ver, mesmo que no momento apenas uma dúzia delas, sei que dentro desta névoa escura e espessa estão tantas outras. Um sem número delas, me esperando para serem abertas, descobertas, trabalhadas.
Os passos são limitados, predefinidos numa quantidade não revelada. E sei que não poderei caminhar para sempre dentro de mim mesmo, em busca de tudo que sou capaz de fazer. De criar. E pensar nisso é um tanto assustador. Mais que frustração ou decepção, apenas medo. De ser capaz e não ter capacidade. De ter pernas e não poder caminhar, porque as caixas são ilimitadas para estes olhos quase cegos.
Não pretendo fazer nada apressado, não quero correr para avançar em passos largos o que os meus passos tão curtos não poderiam alcançar. O segredo é começar antes, começar mais cedo. Fazer tudo no tempo que deve ser feito, enquanto o sol ainda raia todas as manhãs e me espera quando vai dormir. É fazer tudo enquanto essa luz toca o chão onde as caixas me aguardam. Pois quero abri-las uma a uma, desenterrar o que há em seu interior e montar obra por obra, com cautela e dedicação, encarando um medo que sei que jamais irá desaparecer.
Pergunto-me se este medo é comum para os que criam. Parece tão distante dos comentários cotidianos, das pequenas vontades de fazer cada dia um dia especial. Uma questão sem resposta, esta das caixas? Ou apenas uma questão que não quero solução?
Tudo que sei é que enquanto houver dúvida e receio, haverá também a vontade de prosseguir e experimentar...
Um sonho. Descobrir o que se gosta é realmente um sonho, depois de uma espera tão grande, de uma dúvida sem tamanhos e de uma sequência histórica da vida tão pesarosa. O tempo avançando e a pressão quase te esmagando por ainda estar tão arduamente relutente a escolher um caminho para si. Descobrir-se no seu mundo, no seu espaço, é como a ilusão de uma pintura que sai da tela, que te toca e acaricia. Mas, ainda assim, não é o fim, restam muitas coisas para serem feitas, muitas caixas para serem abertas.
Aí está o medo, o receio de não saber até onde se pode ir. Não por esperar menos de si, mas por saber que tão ampla são suas escolhas, seus projetos, seus desejos, e o tempo miseravelmente curto. É saber que se está numa zona aparentemente estreita, coberta por uma penumbra misteriosa de sua própria mente, e que conforme você avança no seu espaço, clareia um pouco mais sua alma para revelar as caixas depositadas neste solo. No seu coração. Ali estão, eu posso ver, mesmo que no momento apenas uma dúzia delas, sei que dentro desta névoa escura e espessa estão tantas outras. Um sem número delas, me esperando para serem abertas, descobertas, trabalhadas.
Os passos são limitados, predefinidos numa quantidade não revelada. E sei que não poderei caminhar para sempre dentro de mim mesmo, em busca de tudo que sou capaz de fazer. De criar. E pensar nisso é um tanto assustador. Mais que frustração ou decepção, apenas medo. De ser capaz e não ter capacidade. De ter pernas e não poder caminhar, porque as caixas são ilimitadas para estes olhos quase cegos.
Não pretendo fazer nada apressado, não quero correr para avançar em passos largos o que os meus passos tão curtos não poderiam alcançar. O segredo é começar antes, começar mais cedo. Fazer tudo no tempo que deve ser feito, enquanto o sol ainda raia todas as manhãs e me espera quando vai dormir. É fazer tudo enquanto essa luz toca o chão onde as caixas me aguardam. Pois quero abri-las uma a uma, desenterrar o que há em seu interior e montar obra por obra, com cautela e dedicação, encarando um medo que sei que jamais irá desaparecer.
Pergunto-me se este medo é comum para os que criam. Parece tão distante dos comentários cotidianos, das pequenas vontades de fazer cada dia um dia especial. Uma questão sem resposta, esta das caixas? Ou apenas uma questão que não quero solução?
Tudo que sei é que enquanto houver dúvida e receio, haverá também a vontade de prosseguir e experimentar...
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Visões divergentes
Se a imagem que se julga ver em sonhos, seja por medo, por loucura, ou por um desejo indescritível pode guiar a sua vida, o que diria sobre duas imagens se sobrepondo numa colisão destrutiva? Ambas com intensidades próximas, de origens próximas, mas essencialmente diferentes.
Visões originadas em diferentes pontos, pontos distintos e ao mesmo tempo tão parecidos. Cada uma em sua dimensão, mirando um trajeto diferente, lançando-se de forma a engolir tudo que esteja no caminho apenas para chegar onde se almeja.
E repentinamente, a colisão. Um choque. Como um raio atingindo o solo. E tudo se torna confuso. Até o presente momento era apenas o ardor, a vontade, o horizonte desaparecendo à medida que se aproximava dele. E em seguida tudo estava para o ar, de ponta-cabeça, voando desajeitado sem um destino certo, sem outro rumo que não seja o caos e a perdição.
Destruição causada por conflito. Armado e inesperado. Programada artimanha, astuta e imbecil. Um trabalho irracional, feito apenas para ferir, somente para perecer em sua própria ordem insana. E assim tudo desaparece, as duas visões, antes tão poderosas, agora jazem desgastadas de tanto se enfrentarem. Jazem lanhadas e fatigadas delas mesmas, da disputa irrelevante, da verdade divergente. Cansadas da visão que nada vê, da vontade que perdeu o foco de seu desejo e agora sangra em lágrimas desesperadas.
Sem rumo, sem rumo!
É preciso aprender a contornar para não lutar batalhas inúteis. É preciso parar de perseguir o que te leva pra trás. É preciso encontrar paz.
Mas nada disso é fruto das visões divergentes, se não a calmaria após a guerra. Falsa calmaria, assim como outro desejo a não ser destruir sonhos.
E tudo começou em pontos distintos tão próximos...
Visões originadas em diferentes pontos, pontos distintos e ao mesmo tempo tão parecidos. Cada uma em sua dimensão, mirando um trajeto diferente, lançando-se de forma a engolir tudo que esteja no caminho apenas para chegar onde se almeja.
E repentinamente, a colisão. Um choque. Como um raio atingindo o solo. E tudo se torna confuso. Até o presente momento era apenas o ardor, a vontade, o horizonte desaparecendo à medida que se aproximava dele. E em seguida tudo estava para o ar, de ponta-cabeça, voando desajeitado sem um destino certo, sem outro rumo que não seja o caos e a perdição.
Destruição causada por conflito. Armado e inesperado. Programada artimanha, astuta e imbecil. Um trabalho irracional, feito apenas para ferir, somente para perecer em sua própria ordem insana. E assim tudo desaparece, as duas visões, antes tão poderosas, agora jazem desgastadas de tanto se enfrentarem. Jazem lanhadas e fatigadas delas mesmas, da disputa irrelevante, da verdade divergente. Cansadas da visão que nada vê, da vontade que perdeu o foco de seu desejo e agora sangra em lágrimas desesperadas.
Sem rumo, sem rumo!
É preciso aprender a contornar para não lutar batalhas inúteis. É preciso parar de perseguir o que te leva pra trás. É preciso encontrar paz.
Mas nada disso é fruto das visões divergentes, se não a calmaria após a guerra. Falsa calmaria, assim como outro desejo a não ser destruir sonhos.
E tudo começou em pontos distintos tão próximos...
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Aniversário
Postagem tardia. Mais precisamente, com 10 dias de atraso. E juro que gostaria de ter feito isto antes, mas parece que o texto fugiu de mim, e eu não tive coragem de ir atrás do que faltava com o que me restava dele. Assim sendo, o abandonei, deixei de lado de vez. E de vez nascera outro, talvez próximo, talvez não, nem eu sei. Apenas sei que veio e que desta vez saíra, por isso escrevo, e aqui escrevo o que acho que devo. Peço desculpas pelo atraso.
Aniversário
Dia em que se faz ano(s) que se deu certo acontecimento, ou em que se completa(m) ano(s). Uma data. Basicamente é isso, apenas uma data. E por que damos tanta importância para isso? Que motivos realmente temos para dar valor a uma data? Apenas um marco como tantos outros, um ponto que compõe nosso universo tão pontilhado como o céu estrelado. Mas é assim que somos, nos prendemos a detalhes, às vezes insignificantes, mas que para alguém pode estar recheado de significados. Aniversário seria então apenas um detalhe? Algo que pode passar despercebido por muitos, mas para os que conhecem o paradeiro deste ponto no universo, como se tivessem em suas mãos um mapa e uma marcação de um tesouro, sempre podem voltar suas atenções para algo importante uma vez por ano? Pensando deste modo, podemos dizer que o mapa é o calendário e o tesouro é o aniversariante (mais do que os presentes dados a ele, obviamente). De modo que alguns se juntam em torno deste tesouro para admirá-lo com mais cautela de vez em quando, especialmente em datas realmente especiais. Datas recheadas de significados, um marco.
E nada mais que isso, uma data. Sem valor mesmo ao ser lembrada, porém valiosíssima se associada a algo que realmente pode ter algum merecimento.
Dia em que se faz ano que se deu certo acontecimento. Um acontecimento que merece ser devidamente comemorado, se assim quiserem. E, de fato, merece. Em alguns casos há de se concordar, e este é um deles. Se for algo importante, é necessário, se faz necessário. Não por obrigação, mas por uma grande consideração. Consideração gerada por amor e amizade, consideração que dificilmente se apaga, uma vez que se apega a ela. E sendo verdadeira como esta data, também será duradoura, e dentro dos ciclos dos anos, se repetirá em manifestações claras de alegria, saudade, compaixão, e tantos outros sentimentos difíceis de se listar.
Apenas uma data, como outra qualquer, um marco no tempo como uma estrela no céu. Está lá, visível e brilhante, em seu sublime esplendor quase imperceptível aos que não querem notar. Mas está lá, de verdade.
Apenas uma data, mas uma especial.
Feliz Aniversário.
Aniversário
Dia em que se faz ano(s) que se deu certo acontecimento, ou em que se completa(m) ano(s). Uma data. Basicamente é isso, apenas uma data. E por que damos tanta importância para isso? Que motivos realmente temos para dar valor a uma data? Apenas um marco como tantos outros, um ponto que compõe nosso universo tão pontilhado como o céu estrelado. Mas é assim que somos, nos prendemos a detalhes, às vezes insignificantes, mas que para alguém pode estar recheado de significados. Aniversário seria então apenas um detalhe? Algo que pode passar despercebido por muitos, mas para os que conhecem o paradeiro deste ponto no universo, como se tivessem em suas mãos um mapa e uma marcação de um tesouro, sempre podem voltar suas atenções para algo importante uma vez por ano? Pensando deste modo, podemos dizer que o mapa é o calendário e o tesouro é o aniversariante (mais do que os presentes dados a ele, obviamente). De modo que alguns se juntam em torno deste tesouro para admirá-lo com mais cautela de vez em quando, especialmente em datas realmente especiais. Datas recheadas de significados, um marco.
E nada mais que isso, uma data. Sem valor mesmo ao ser lembrada, porém valiosíssima se associada a algo que realmente pode ter algum merecimento.
Dia em que se faz ano que se deu certo acontecimento. Um acontecimento que merece ser devidamente comemorado, se assim quiserem. E, de fato, merece. Em alguns casos há de se concordar, e este é um deles. Se for algo importante, é necessário, se faz necessário. Não por obrigação, mas por uma grande consideração. Consideração gerada por amor e amizade, consideração que dificilmente se apaga, uma vez que se apega a ela. E sendo verdadeira como esta data, também será duradoura, e dentro dos ciclos dos anos, se repetirá em manifestações claras de alegria, saudade, compaixão, e tantos outros sentimentos difíceis de se listar.
Apenas uma data, como outra qualquer, um marco no tempo como uma estrela no céu. Está lá, visível e brilhante, em seu sublime esplendor quase imperceptível aos que não querem notar. Mas está lá, de verdade.
Apenas uma data, mas uma especial.
Feliz Aniversário.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Dependência
Vazio crescente. Dimensão imensurável imersa em escuridão. Luz tangível escorregadia, caindo em pedaços no vácuo celeste, prestes a desaparecer. Sensação indescritível, falta sem limites, ausência ensurdecedora. Dependência de olhos...
Um, dois...
O tempo passa. O vazio aumenta. Mãos presas à parede, tão imóveis e impotentes. O rosto grudado no cimento frio, a voz gélida sem alcance, tentando trespassar a barreira da penitência, tentando trazer de volta o ar tão necessário. Lacrimejando, os olhos que nada vêem pedem uma luz guia. Pedem o retorno de suas forças.
Três, quatro...
Depêndência. Todo instante é eterno, toda eternidade é momentânea. E cada respirar se faz mais difícil, cada toque mais insensível. O tato esvai-se nas perdas. Lentamente, de mãos dadas a pedra imóvel, a cabeça agredindo a si mesma, nada parece fazer sentido.
Cinco, seis...
Sangue pinga misturado ao choro. Uma lágrima na chuva. Destino inexorável.
Sete, oito...
Desespero aumenta, os pensamentos começam a jorrar numa cachoeira de angústias. Saudade aperta. "É cedo, é cedo."
Nove, dez...
Loucura. Os batimentos cardíacos contam o tempo passado. Tempo cada vez mais curto, mais acelerado. "Tão distante, ainda é tão distante". Caindo no chão da pequena sala deserta, sem luz, sem água. Apenas a dependência. Encarando seu inimigo de frente, restam apenas os ecos de um coração abatido.
Onze, doze...
Treze, catorze...
Dependência.
Quinze, dezesseis...
Todo instante é eterno, toda eternidade é momentânea.
Dezessete, dezoito...
A respiração morre.
Dezenove, vinte...
Os olhos se fecham, restam apenas os ecos de um coração abatido.
Um, dois...
O tempo passa. O vazio aumenta. Mãos presas à parede, tão imóveis e impotentes. O rosto grudado no cimento frio, a voz gélida sem alcance, tentando trespassar a barreira da penitência, tentando trazer de volta o ar tão necessário. Lacrimejando, os olhos que nada vêem pedem uma luz guia. Pedem o retorno de suas forças.
Três, quatro...
Depêndência. Todo instante é eterno, toda eternidade é momentânea. E cada respirar se faz mais difícil, cada toque mais insensível. O tato esvai-se nas perdas. Lentamente, de mãos dadas a pedra imóvel, a cabeça agredindo a si mesma, nada parece fazer sentido.
Cinco, seis...
Sangue pinga misturado ao choro. Uma lágrima na chuva. Destino inexorável.
Sete, oito...
Desespero aumenta, os pensamentos começam a jorrar numa cachoeira de angústias. Saudade aperta. "É cedo, é cedo."
Nove, dez...
Loucura. Os batimentos cardíacos contam o tempo passado. Tempo cada vez mais curto, mais acelerado. "Tão distante, ainda é tão distante". Caindo no chão da pequena sala deserta, sem luz, sem água. Apenas a dependência. Encarando seu inimigo de frente, restam apenas os ecos de um coração abatido.
Onze, doze...
Treze, catorze...
Dependência.
Quinze, dezesseis...
Todo instante é eterno, toda eternidade é momentânea.
Dezessete, dezoito...
A respiração morre.
Dezenove, vinte...
Os olhos se fecham, restam apenas os ecos de um coração abatido.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Um vislumbre da Utopia
Conforme o tempo avança, tudo que está regido por ele também parece avançar. Embora às vezes este "avançar" soe como um "retroceder" ou um "ruir", o término de um projeto pode ser considerado um avanço até o final. E o que há no fim? Nada? Tudo? Um resultado para cada coisa, para cada circunstância e história é o mais provável. Sempre uma resposta diferente. Do tudo ao nada e do que parecia irrealizável a, repentinamente, um sonho concretizado, tudo conforme o avanço do tempo. Da mais profunda agonia e solidão, emergindo destas trevas um sabor totalmente novo - e prazeroso -, sentir desta forma indescritível a resolução programada pelo tempo pode ser realmente um leve toque da perfeição. E chorar por isso. Chorar na imensidão de fortes sentimentos que podem surgir. De todos os lados, de todas as maneiras, por dentro e fora, de cima abaixo, pequenos ou grandes. Não importa. Não há lógica.
O tempo avança, e neste andar tudo pode avançar em seu ritmo. Um "ruir" tão doloroso pode acarretar num "gerar" tão maravilhoso. E das sombras vem à luz, e com ela tudo que brilha, e novas memórias sob o novo elemento descem dos céus, faz-se tudo novo sobre o velho, tudo bom sobre o ruim e tudo criado sobre o destruído.
Um vislumbre, apenas um único vislumbre. A perfeição que pode ser tocada de leve, acariciada, e desejar que nunca se afaste, que nunca se apague ou vá embora. Um vislumbre que o tempo trouxe ao avançar, um sonho despertado que almejou um desejo irrealizável, e dormindo sobre si mesmo cruzou a linha para tornar concreto o que era imaginário.
Um vislumbre. Um deslumbre. O tempo avança.
E com este avançar, um sonho realizado gera a partir das suas ruínas um novo sonho, um desejo que ao dormir sobre si mesmo poderá tocar na perfeição de se concretizar, um vislumbre da utopia, a chance de ser eternizado. A chance em apenas um toque.
E nestes olhos cegos pela distância, outro vislumbre de uma utopia escura se tornando clara, produz em seu interior, a certeza de que o tempo avança e tudo muda. Tudo. Até a fraqueza dos sonhos adormecidos.
O tempo avança, e neste andar tudo pode avançar em seu ritmo. Um "ruir" tão doloroso pode acarretar num "gerar" tão maravilhoso. E das sombras vem à luz, e com ela tudo que brilha, e novas memórias sob o novo elemento descem dos céus, faz-se tudo novo sobre o velho, tudo bom sobre o ruim e tudo criado sobre o destruído.
Um vislumbre, apenas um único vislumbre. A perfeição que pode ser tocada de leve, acariciada, e desejar que nunca se afaste, que nunca se apague ou vá embora. Um vislumbre que o tempo trouxe ao avançar, um sonho despertado que almejou um desejo irrealizável, e dormindo sobre si mesmo cruzou a linha para tornar concreto o que era imaginário.
Um vislumbre. Um deslumbre. O tempo avança.
E com este avançar, um sonho realizado gera a partir das suas ruínas um novo sonho, um desejo que ao dormir sobre si mesmo poderá tocar na perfeição de se concretizar, um vislumbre da utopia, a chance de ser eternizado. A chance em apenas um toque.
E nestes olhos cegos pela distância, outro vislumbre de uma utopia escura se tornando clara, produz em seu interior, a certeza de que o tempo avança e tudo muda. Tudo. Até a fraqueza dos sonhos adormecidos.
domingo, 2 de agosto de 2009
Sentimentos: escolhas e receios
Se uma das definições para sentimento é a capacidade para sentir, temo dizer que estou mais apto a isto do que gostaria. Em dados momentos, claro. Ter capacidade, aptidão, disposição natural para sentir não quer dizer que seja obrigatório sentir. Poder controlar seus atos, pensamentos e sonhos é algo corriqueiro para todos nós, embora não o façamos em totalidade. Dentro desta outra capacidade, a de sentir, será possível também escolher sim ou não para algumas coisas, mesmo que inconscientemente? Será possível fugir das escolhas consideradas prejudiciais? Teimar de fato para seguir num caminho próprio, em total razão própria, vontade própria, aptidão própria, sem pouco se importar com as consequências, ou pensar nelas de forma tão fria que não se incomodaria com o resultado.
Será?
Se sentimentos são receios, uma espécie de medo tão incontrolável que vem e arrasta como uma enchente qualquer lógica, escolha, capacidade ou aptidão nossa para a vala e vai, de seu modo egoísta, guiando toda a vida para um rumo receoso e inevitável, um destino inflexível e soberano. Não sei dizer. Apenas não sei.
Sou eu que escolho sentir ou o sentimento me escolhe para sentir? E quanto às demais pessoas? Há resposta? Creio que não. Mas há algo que persiste, uma capacidade, aptidão e poder próprio para decidir lutar contra a corrente e negar qualquer escolha feita por esta, mesmo que ela habite no interior, e cresça, e diminua, e machuque ou afague. Viva, morra, ressurja, se esconda e lute outra vez. Inimigo impossível de se eliminar de vez, mas sempre há a opção de repetir eternamente a mesma escolha, e sofrer a mesma consequência para todo o sempre.
Sentimentos: escolhas e receios entrelaçados que como uma corda nos puxa para o alto ou nos sustentam enquanto caímos. E sem fugir, hoje carrego uma destas cordas comigo, escolhendo aceitar, apenas aceitar, as decisões que cabem a mim.
Será?
Se sentimentos são receios, uma espécie de medo tão incontrolável que vem e arrasta como uma enchente qualquer lógica, escolha, capacidade ou aptidão nossa para a vala e vai, de seu modo egoísta, guiando toda a vida para um rumo receoso e inevitável, um destino inflexível e soberano. Não sei dizer. Apenas não sei.
Sou eu que escolho sentir ou o sentimento me escolhe para sentir? E quanto às demais pessoas? Há resposta? Creio que não. Mas há algo que persiste, uma capacidade, aptidão e poder próprio para decidir lutar contra a corrente e negar qualquer escolha feita por esta, mesmo que ela habite no interior, e cresça, e diminua, e machuque ou afague. Viva, morra, ressurja, se esconda e lute outra vez. Inimigo impossível de se eliminar de vez, mas sempre há a opção de repetir eternamente a mesma escolha, e sofrer a mesma consequência para todo o sempre.
Sentimentos: escolhas e receios entrelaçados que como uma corda nos puxa para o alto ou nos sustentam enquanto caímos. E sem fugir, hoje carrego uma destas cordas comigo, escolhendo aceitar, apenas aceitar, as decisões que cabem a mim.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Um abraço por correspondência
Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa ou coisa distante ou extinta. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido. Esta é a definição do dicionário para saudade. É certo que, de alguma forma, possamos entender o que significa através de palavras, mas como outros sentimentos, e a partir da própria palavra, sentimento, entendemos que só podemos compreender a magnitude destas coisas... sentindo-as. É como a gravidade, sempre existente para nós, e mesmo assim entendida despercebidamente, por assim dizer. Vai e volta, o que sobe, desce, o que parte, volta, o que nasce, morre, e quando você sai, você tem de voltar.
E a saudade cresce, aumenta, e deveria morrer, porque nasceu, mas não morre, nem adoece, nem enfraquece. Adormece, mas dormir implica em acordar e despertar sugere em abandonar os sonhos, a utopia, toda a miragem que é viver distante e encarar o fato de estar longe do que queria. Ou de alguém. E sofrer por isso, sofrer de modos distintos. Sofrer por querer abraçar, por querer beijar, nem que seja o rosto, desejar incessantemente um toque, um olhar, e ter de esperar para ouvir, quando se pode. Saudade é esperar, é aguardar dentro de um casulo que a luz penetre pelo buraco que se faz com tanto esforço, rompendo os fios nos quais você mesmo se enrolou, ou se deixou enrolar, e se tem mais trabalho para fugir do que para entrar.
Saudade é desejar poder enviar que seja um abraço por correspondência, e imaginar a expressão de quem o pegar dentro de uma carta, como se seus braços pudessem sair do papel e segurar firme quem está no destino. Sitiá-lo, circular e prender, puxar de volta pelo mesmo caminho que a correspondência, sonhar e sonhar com o momento do reencontro.
Às vezes imagino que saudade seja esperar dormir, para lá encontrar quem deseja. Outras vezes imagino que saudade seja, na verdade, o sonho em si, que se realizou, como um relâmpago, que brilhou forte por um instante e apagou, e agora só resta esperar outro relâmpago aparecer. Seja como for, o clarão continua, tornando-se mais intenso e duradouro a cada repetição. Assim sendo, um dia, o relâmpago se tornará um sol...
E a saudade cresce, aumenta, e deveria morrer, porque nasceu, mas não morre, nem adoece, nem enfraquece. Adormece, mas dormir implica em acordar e despertar sugere em abandonar os sonhos, a utopia, toda a miragem que é viver distante e encarar o fato de estar longe do que queria. Ou de alguém. E sofrer por isso, sofrer de modos distintos. Sofrer por querer abraçar, por querer beijar, nem que seja o rosto, desejar incessantemente um toque, um olhar, e ter de esperar para ouvir, quando se pode. Saudade é esperar, é aguardar dentro de um casulo que a luz penetre pelo buraco que se faz com tanto esforço, rompendo os fios nos quais você mesmo se enrolou, ou se deixou enrolar, e se tem mais trabalho para fugir do que para entrar.
Saudade é desejar poder enviar que seja um abraço por correspondência, e imaginar a expressão de quem o pegar dentro de uma carta, como se seus braços pudessem sair do papel e segurar firme quem está no destino. Sitiá-lo, circular e prender, puxar de volta pelo mesmo caminho que a correspondência, sonhar e sonhar com o momento do reencontro.
Às vezes imagino que saudade seja esperar dormir, para lá encontrar quem deseja. Outras vezes imagino que saudade seja, na verdade, o sonho em si, que se realizou, como um relâmpago, que brilhou forte por um instante e apagou, e agora só resta esperar outro relâmpago aparecer. Seja como for, o clarão continua, tornando-se mais intenso e duradouro a cada repetição. Assim sendo, um dia, o relâmpago se tornará um sol...
sexta-feira, 24 de julho de 2009
A Constante Mudança do Imutável
A persistente estabilidade do inabalável, por vezes, me parece carregar de lado a lado, gentil como um balanço de ninar ou forte como um chacoalhar para despertar, alertar, assustar. E no doce sono, coberto por esta calorosa sensação de segurança, os olhos fechando vagarosamente, manchando toda a visão, prontos para tornar tudo branco e depois tudo preto, algumas coisas parecem terem se acalmado finalmente em minha vida. Ao mesmo tempo, na surpresa, retornando a vigília, o coração disparado e uma vontade insaciável de perceber as transformações alheias ao meu ser, no ambiente onde resido, reparo que de certo, algo mudou.
Deveria mudar, pois é isso que esperamos todos os dias, afinal. Pois é isto que espero. E espero. Afinal, espero sem ter a certeza de que enfim a mudança chegará, porque a torre onde se encontra tudo que me passa, passou e talvez passe no futuro esteja onde sempre esteve. Difícil de derrubar sozinha, para não dizer impossível. Invisível por parecer crescer para baixo ao invés de para cima, aprofundando em mim mesmo, rumo ao centro, ao coração, como a ponta de uma faca desejosa por fincar de vez o desejo de correr e se libertar. Inútil, admito.
Em outro momento parece mais calma, como se de uma torre mudasse para um túnel que leva o que há dentro para fora e o que há fora para dentro, num escambo inesgotável de experiências e pensamentos que por fim sempre retornam para o seu lugar.
Brincadeira de mau gosto.
Jornada em círculos? A ilusão que faz um lago parecer oceano? Talvez seja apenas uma época transitória aparentemente rígida como o gelo, mas que na época certa se tornará a água que me lavará.
Deveria mudar, pois é isso que esperamos todos os dias, afinal. Pois é isto que espero. E espero. Afinal, espero sem ter a certeza de que enfim a mudança chegará, porque a torre onde se encontra tudo que me passa, passou e talvez passe no futuro esteja onde sempre esteve. Difícil de derrubar sozinha, para não dizer impossível. Invisível por parecer crescer para baixo ao invés de para cima, aprofundando em mim mesmo, rumo ao centro, ao coração, como a ponta de uma faca desejosa por fincar de vez o desejo de correr e se libertar. Inútil, admito.
Em outro momento parece mais calma, como se de uma torre mudasse para um túnel que leva o que há dentro para fora e o que há fora para dentro, num escambo inesgotável de experiências e pensamentos que por fim sempre retornam para o seu lugar.
Brincadeira de mau gosto.
Jornada em círculos? A ilusão que faz um lago parecer oceano? Talvez seja apenas uma época transitória aparentemente rígida como o gelo, mas que na época certa se tornará a água que me lavará.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Quando a névoa se dissipa...
Será que existem momentos em que todas as manhãs parecem enevoadas e todas as tardes se assemelham a tormentas? E a calmaria, quando vem, é apenas durante a noite? Sem uma luz forte o bastante para guiar, sem um rumo certo para seguir. Às vezes, sem sequer saber onde está.
Creio que a maior de todas as névoas é a que reside dentro de nós, e que nos impede de tomar um rumo quando tanto precisamos de um. Ainda assim a névoa tem de ir embora em algum momento, e foi aí que pude enxergar a intensa luz do sol. Uma luz forte o bastante para me salvar.
Foram poucos dias na luz, mas a lembrança destes dias me guiará para o futuro que tanto almejo, certamente.
Compreendo perfeitamente que quando a minha névoa se dissipa... É a hora de contemplar o horizonte, antes que ela retorne...
Creio que a maior de todas as névoas é a que reside dentro de nós, e que nos impede de tomar um rumo quando tanto precisamos de um. Ainda assim a névoa tem de ir embora em algum momento, e foi aí que pude enxergar a intensa luz do sol. Uma luz forte o bastante para me salvar.
Foram poucos dias na luz, mas a lembrança destes dias me guiará para o futuro que tanto almejo, certamente.
Compreendo perfeitamente que quando a minha névoa se dissipa... É a hora de contemplar o horizonte, antes que ela retorne...
sábado, 14 de março de 2009
Cegueira da Alma
A busca pelo entendimento de todo o incompreensível é extremamente antiga. Idéias hoje absurdas ainda surgem na mente das pessoas a todo o momento, procurando uma liberdade que pode ser maior que a física, a liberdade da alma, da mente.
Algumas pessoas, no entanto, acreditam tanto naquilo que lhes é apresentado que se perdem na hipotética explicação. Perdem, no fim, a razão. A verdade é uma para cada um, em muitos pontos pode se convergir, mas, no fim, é única para cada ser. Sem a razão para manter seus pés no chão, essas pessoas flutuam em delírios e bombardeiam os chamados "incrédulos".
Uma liberdade imposta pode ser mesmo uma liberdade? A tal verdade pode ser verdade antes de ser questionada? Se tudo que lhe é dito sempre precisa ser ponderado, de onde vem a idéia de que se pode julgar o outro de maneira tão autoritária? A hipocrisia habita a alma de todos que se acham superiores... De todos que se acham certos...
Cegueira da alma! Perdidos numa doce escuridão que parece perfeita, no silêncio da ignorância eterna, fingindo uma vida, crendo numa falsa liberdade.
Um dia, talvez, eles descubram o quão mal são capazes de gerar crendo que estão fazendo o certo. Tenho pena dessas almas perdidas. Tenho raiva desses seres cegos.
Algumas pessoas, no entanto, acreditam tanto naquilo que lhes é apresentado que se perdem na hipotética explicação. Perdem, no fim, a razão. A verdade é uma para cada um, em muitos pontos pode se convergir, mas, no fim, é única para cada ser. Sem a razão para manter seus pés no chão, essas pessoas flutuam em delírios e bombardeiam os chamados "incrédulos".
Uma liberdade imposta pode ser mesmo uma liberdade? A tal verdade pode ser verdade antes de ser questionada? Se tudo que lhe é dito sempre precisa ser ponderado, de onde vem a idéia de que se pode julgar o outro de maneira tão autoritária? A hipocrisia habita a alma de todos que se acham superiores... De todos que se acham certos...
Cegueira da alma! Perdidos numa doce escuridão que parece perfeita, no silêncio da ignorância eterna, fingindo uma vida, crendo numa falsa liberdade.
Um dia, talvez, eles descubram o quão mal são capazes de gerar crendo que estão fazendo o certo. Tenho pena dessas almas perdidas. Tenho raiva desses seres cegos.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Zero
Diz-se que a descoberta do algarismo "zero" ocorreu apenas em três povos e que posteriormente fora divulgado na Europa, já na Idade Média. O "meu zero", assim como o da matemática, também foi encontrado posteriormente a divulgação dos outros números. Uma surpresa, sim, porém de fácil aceitação. O tempo é remoto, com uma estimativa imperfeita e até mesmo inútil, mesmo que eu a tenha feito. Não importa, no momento, pensar muito nas origens do "meu zero", prefiro entregá-lo a outra pessoa uma vez que a primeira jamais verá este trabalho, agora modificado.
Dedico assim o meu "zero", no sentido de aquele que antecede todos os sentimentos, todos os trabalhos, todos os desejos... e não a ausência deles, a pessoa que está presente nestes momentos aparentemente vazios, mas recheados de significados para mim...
Retorno à luz (??/??/03)
Quando a escuridão já parecia rotina
Você veio para a minha vida
Como o sol vem pela manhã
E em todos os dias
A certeza de encontrar a paz em você
Até as trevas retornarem de seu descanso
Hoje está tudo escuro
E a vida como noites eternas
Num coração perdido na própria ignorância
Enfraquecido em sua incapacidade
Atordoado no desespero da sua ausência
Sentir seu calor não é necessidade
Mas a esperança de ter seu amor é
Na perdição resta somente a dor
Como lidar com esta saudade?
Caminho esconso, labirinto de estrelas
Clamo encontrar uma saída
O retorno à luz
E desejar mais de uma vez
Que você seja para mim
Mais que um dia ensolarado
E o meu sol poderá voltar
Amanhã
O retorno à luz
O despertar de um pesadelo
E o descobrir do seu sorriso
Dedico assim o meu "zero", no sentido de aquele que antecede todos os sentimentos, todos os trabalhos, todos os desejos... e não a ausência deles, a pessoa que está presente nestes momentos aparentemente vazios, mas recheados de significados para mim...
Retorno à luz (??/??/03)
Quando a escuridão já parecia rotina
Você veio para a minha vida
Como o sol vem pela manhã
E em todos os dias
A certeza de encontrar a paz em você
Até as trevas retornarem de seu descanso
Hoje está tudo escuro
E a vida como noites eternas
Num coração perdido na própria ignorância
Enfraquecido em sua incapacidade
Atordoado no desespero da sua ausência
Sentir seu calor não é necessidade
Mas a esperança de ter seu amor é
Na perdição resta somente a dor
Como lidar com esta saudade?
Caminho esconso, labirinto de estrelas
Clamo encontrar uma saída
O retorno à luz
E desejar mais de uma vez
Que você seja para mim
Mais que um dia ensolarado
E o meu sol poderá voltar
Amanhã
O retorno à luz
O despertar de um pesadelo
E o descobrir do seu sorriso
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